Volume II, nº 8 Autor: Martins Alfaro

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Lisboa, 5 de Fevereiro de 2004         



Estimado(a) Leitor(a),


        Falámos na edição de ontem sobre o novo edifício do Direcção de Finanças de Lisboa.
        O jornal "O Público" publica na sua edição de hoje um artigo onde suscita a probabilidade de que uma decisão da Sra. Ministra das Finanças terá prejudicado o interesse público na negociação relativa àquele edifício.
        Melhor do que eu, o texto da notícia, da autoria do jornalista João Ramos de Almeida, esclarece sobre os factos em causa e poderá ser lida AQUI.
         De tudo o que ali se diz, ressalto o facto de no despacho de Sr. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, constar o seguinte: "por indicação da senhora Ministra e após a análise de todo o processo, decide-se que o Estado não exerça a opção de compra".
        Mesmo os que nunca trabalharam em gabinetes sabem que esta insólita formulação só tem uma interpretação: o autor do despacho não concorda com a decisão e, à cautela, identifica desde logo quem é o responsável pela decisão.


        Em Espanha, foi introduzida uma emenda na lei de execução do Orçamento do Estado para 2004, em virtude da qual os cidadãos estrangeiros que tenham residência em Espanha poderão vir a optar pela tributação aplicável a não-residentes, ou seja, pela taxa de 25%.
        O Ministro de Hacienda espanhol declarou já apoiar a medida, uma vez que se trata de um regime fiscal adoptado em outros países e que promoverá a importação de importantes quadros, de mão-de-obra qualificada e a deslocação para Espanha de multinacionais e de administradores e gestores de outros países.
        E a fronteira espanhola está apenas a 220 kilómetros de Lisboa e a 100 do Porto...


        Uma vez que falamos sobre Espanha, foram divulgadas as prioridades da Agência Tributária espanhola para o ano de 2004.
        O sector imobiliário será alvo de uma especial atenção em todas as fases dos respectivos circuitos, incluindo subcontratos, assim como os comportamentos potenciadores ou reveladores de fraude no IVA. Outras prioridades consistem no controle dos não-residentes, no uso de sociedades domiciliadas em paraísos fiscais e na perseguição do branqueamento de capitais. Por fim, serão perseguidas as "sociedades-fantasma", habitualmente utilizadas como sociedades interpostas na fraude fiscal e no branqueamento de capitais.
        Estranhamente, não são referidas "operações" com nomes tais como "operación murciélago" ("operação morcego") ou "operación pendón" ("operação bandeira").
        Decididamente, os nossos vizinhos ainda têm muito a aprender com a DGCI.


        Cito uma notícia segundo a qual a Comissão Europeia anunciou que contribuirá com 6,65 milhões de euros de ajuda nos próximos quatro anos, visando auxiliar o país a reconstruir o seu sistema judicial.
        De acordo com a Comissão, a reforma do sistema judicial nacional é urgente, entre outras causas, porque cerca de 60% da população prisional está em situação de prisão preventiva.
        A Comissão nota ainda que o muito lento passo dos procedimentos legais e a abundância de recursos das decisões judiciais contribuem igualmente para a degradação do sistema de Justiça.
        A este propósito, o porta-voz da Comissão Europeia afirmou mesmo que "o sistema judicial não é adequado à satisfação dos direitos e das necessidades dos cidadãos".
        A reestruturação do sistema judicial melhorará os procedimentos legais e judiciais e o acesso à justiça por parte de cidadãos e empresas, criando do mesmo passo um sistema judicial mais transparente e eficaz.
       O Panamá já aceitou e agradeceu a ajuda.




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